quinta-feira, outubro 16, 2008

PS

- só passei para dizer que ainda sou mas que raramente estou...

quarta-feira, setembro 17, 2008

CV

O meu CV, de acordo com uma amiga... não confirmo nem desminto :)

INOMINÀVEL é uma louca portuguesa, actualmente a conspurcar a cidade de Berlim com a sua insanidade. Para além de comer que nem uma porca, é viciada em vinho tinto o que não intervém negativamente na sua capacidade científica. É mãe de uma fofinha loira de olhos azuis mar, uma das poucas coisas bonitas, se não a única, que fez na vida
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quarta-feira, agosto 20, 2008

cegueira

há um mundo inteiro
e lindo
em cada dia que não estás

há talvez brinquedos novos
e balões coloridos
e dias claros

imagino também flores
e palavras acabadas de nascer
ainda húmidas
e vermelhas
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quarta-feira, agosto 13, 2008

e o meu maior desejo é (III)...

... encostar a cabeça aqui e dormir como se estivesse noutro lugar.

terça-feira, julho 29, 2008

e o meu maior desejo é (II)...

... ir de férias para um lugar onde eu não esteja...
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sexta-feira, julho 25, 2008

e o meu maior desejo é...

... ficar calada durante muito tempo, numa sala à prova de som...
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terça-feira, julho 08, 2008

condição

partes em todas as direcções
espelho caído
espalhado
obrigado a pequenas realidades
fragmentos de cada dia
tão nossos como o pão
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segunda-feira, junho 16, 2008

da crítica literária...

era um poema tão velho, tão velho, tão velho, que entrou em decomposição: eram sílabas métricas por todos os versos... nunca chegou a recuperar... pediu a extrema unção ao crítico e eutanasiou-se.
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sábado, junho 07, 2008

cobardia

não havia mais nada a fazer
pelo poema já moribundo
senão publicá-lo
e comparecer ao seu enterro
disfarçado de leitor

(uma coroa de flores murchou
detrás dos meus óculos escuros de aba larga)

no dia seguinte pude ler
"poema morre de causas desconhecidas.
desconfia-se do autor.
dezenas de leitores comparecem ao funeral
depois de dois dias em poesia ardente."

era mentira:
o poema morreu anónimo
ninguém o leu
não consta na genealogia que tivesse família

(a imprensa inventou a sua opinião pública)
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sexta-feira, junho 06, 2008

ceci n'est pas un poème

extravasada de palavras
prenhe de sintaxe que perdeu os sentidos
a folha cheia é a antítese do poema

a poesia esconde-se
no verso vazio da folha
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terça-feira, junho 03, 2008

pacto

penetra-me
à altura da alma:
aí mais ninguém saberá entrar

- o corpo, esse,
come-lo-ão os bichos -
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quarta-feira, maio 28, 2008

ingenuidade

os castanheiros resamarram-se
numa chuva de pólen
devagarinha

suave e alérgica à brisa
embate no alcatrão
e morre dos atropelos


(e os castanheiros ingénuos pensam que andam a fertilizar o bairro)
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sexta-feira, maio 23, 2008

... das línguas...

amigos saturados ou saturantes,

tendo em conta que o post anterior não teve nenhum comentário, apesar de tão belo e provocador, deverei pensar que o francês já não se usa ou está démodé? o que é que se usa então? fiquei intrigada :)
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terça-feira, maio 20, 2008

Léo Férré et la poésie

É por concordar com estas palavras, à distância de mais de 50 anos, que as transcrevo...

"La poésie contemporaine ne chante plus. Elle rampe. Elle a cependant le privilège de la distinction, elle ne fréquente pas les mots mal famés, elle les ignore. (...) On ne prend les mots qu'avec des gants: à ‘menstruel’ on préfère ‘périodique’, et l'on va répétant qu'il est des termes médicaux qui ne doivent pas sortir des laboratoires ou du codex. Le snobisme scolaire qui consiste à n'employer en poésie que certains mots déterminés, à la priver de certains autres, qu'ils soient techniques, médicaux, populaires ou argotiques, me fait penser au prestige du rince-doigts et du baise-main. Ce n'est pas le rince-doigts qui fait les mains propres ni le baise-main qui fait la tendresse. Ce n'est pas le mot qui fait la poésie, c'est la poésie qui illustre le mot.(...)

Nous vivons une époque épique et nous n'avons plus rien d'épique. A New York le dentifrice chlorophylle fait un pâté de néon dans la forêt des gratte-ciel. On vend la musique comme on vend le savon à barbe. Le progrès, c'est la culture en pilules. Pour que le désespoir même se vende, il ne reste qu'à en trouver la formule. Tout est prêt: les capitaux, la publicité, la clientèle. Qui donc inventera le désespoir ?

Dans notre siècle il faut être médiocre, c'est la seule chance qu'on ait de ne point gêner autrui.
L'artiste est à descendre, sans délai, comme un oiseau perdu le premier jour de la chasse. Il n'y a plus de chasse gardée, tous les jours sont bons. Aucune complaisance, la société se défend. Il faut s'appeler Claudel ou Jean de Létraz, il faut être incompréhensible ou vulgaire, lyrique ou populaire, il n'y a pas de milieu, il n'y a que des variantes. Dès qu'une idée saine voit le jour, elle est aussitôt happée et mise en compote, et son auteur est traité d'anarchiste.(...)"

Préface de "Poète...vos papiers !" 1956 (excertos)
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quarta-feira, maio 14, 2008

pedido

quero que me dês o mundo

se não o puderes embrulhar
atira-me uma imitação brilhante
que também traga dias de sol
e estrelas do norte
e crianças a brincar à nossa porta

(deixa a porta aberta)


(este poema já tinha sido publicado há muito muito tempo, mas apeteceu-me revê-lo agora, à distância do tempo em que ainda não havia crianças a brincar à minha porta)
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segunda-feira, maio 05, 2008

separação

onde tu fores
ficará sempre pregada
a pegada
molhada
da tua ausência

(não há espaço sem tempo)
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segunda-feira, abril 21, 2008

tacto

(a F.L.)

observo-te
todos os olhos escondidos na epiderme
e vejo-me estendida na tua pele

(só os outros não me vêm)
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segunda-feira, abril 07, 2008

pulsação

e como se o dia
tivesse só 24 horas
conto-as todas devagarinho
para enganar o tempo
que circula
ao descontrolo
nos meus pulsos
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sábado, março 29, 2008

história triste

era uma vez uma menina
a cantar no fundo do mar

nessa escuridão de lodo
nesse fundo de mar
era lá que cantava
onde ninguém podia ouvir
onde ninguém podia olhar
que era a cantar que chorava
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quarta-feira, março 12, 2008

da inutilidade de ter asas

o pássaro verde não é verde
e não tem cor

o pássaro que não é verde
é feito só de asas
e vive à solta numa gaiola
de porta aberta
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sexta-feira, março 07, 2008

as maiores emoções...

... têm causas tão pequenininhas... daquelas de ficar a olhar para o próprio umbigo, sem sentidos figurados nem conotações ;)

uma pequena volta para a humanidade, mas uma grande volta para mim. aposto que o N. Armstrong concordaria comigo...
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terça-feira, março 04, 2008

em que tipo de mulher me deveria incluir???

Mulheres

Já tive mulheres de todas as cores
De varias idades de muitos amores
Com umas até certo ponto fiquei,
Com outras apenas um pouco me dei.

Já tive mulheres do tipo atrevida
Do tipo acanhada, do tipo vivida,
Casada, carente, solteira e feliz
Já tive donzela e até meretriz.

Mulheres cabeças e desequilibradas
Mulheres confusas, de guerra e de paz
Mas nenhuma delas, me fez tão feliz
Como você me faz.

Procurei, em todas as mulheres a felicidade
Mas eu não encontrei fiquei na saudade
Foi começando bem mas tudo teve um fim.

Você é, o sol da minha vida a minha vontade
Você não é mentira, você é verdade
É tudo que um dia eu sonhei pra mim!

(1998)
Composição: Toninho Geraes
Interpretação : Martinho da Vila

terça-feira, fevereiro 26, 2008

Resposta (curta-metragem 9)

Limitou-se a manter as mãos mergulhadas na louça suja. Preferiu não responder e continuou de costas voltadas para o inesperado da pergunta.

"Porque não respondes?"

Aquela era a sequência óbvia do monólogo e, por isso, não o quis interromper. O silêncio era agora mais incómodo e quente. Talvez também mais esclarecedor e ruidoso… Tinha acabado de perceber que algumas perguntas não devem ser colocadas apenas porque não há resposta para elas ou porque variam tanto que, passados alguns minutos ou dias, passam a ser menos verdade (ou mais mentiras!). Era, em linha recta, o que se estava a passar com aquele monólogo de aspirações a diálogo…

"Não vais mesmo responder?"

Naquele momento lembrara-se do sonho que tivera nessa noite e como limpava ainda toda a casa do peixe degolado que continuava a nadar sobre o mosaico e as passadeiras de soalho. Era assustador como uma noite dos mortos-vivos. Pensou que nada explicaria aquilo e continuou a lavar a loiça, encharcando as mãos em restos de comida e envolvendo-as na fofa e fedorenta camada de espuma que se acumulava à superfície da água… Que lírico! Uma elegia ao seu gosto por todas as tarefas domésticas!

Pensava também que não podia de facto pronunciar-se validamente porque nem sequer tinha pensado nos motivos da questão! E não tinha ainda verificado e categorizado os aspectos positivos, negativos e assim-assim que conduziriam à resposta. Mas precisaria mesmo de compreender os motivos? Seria assim tão necessário ponderar todas as vantagens e inconvenientes daquela pessoa, voltar a julgá-la sobre os seus critérios pessoais e intransmissíveis, espreitar-lhe a alma e tentar adivinhar-lhe as desgraças, as imundícies, os torpores, as obsessões, as mágoas, os medos, as merdas, os restos de criança, os embriões do tirano, do sacana e do proxeneta?

"Sabes que as minhas respostas têm prazo de validade, não é? Esta tem o período limite de um iogurte: 'Sim! Hoje amo-te'."


Quanto tempo levam os peixes mortos a decompôr-se?
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quinta-feira, fevereiro 14, 2008

aviso acerca do estado do mar...

... para todos os surfistas deste espaço...

vou estar ausente em parte incerta por alguns dias... chamem-lhe férias ou coisas mais doces! porquê?
?
?
?

sexta-feira, fevereiro 01, 2008

coragem

dizer-te o meu medo
sem ter medo

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quarta-feira, janeiro 30, 2008

sexta-feira, janeiro 25, 2008

(sem título)

eu também quero estar perto do fogo
como tu a queimar erva e vudus
e a chamar nomes aos pássaros
a cuspir nas labaredas
e a destilar o conhac que só bebo por despeito

desfeita
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domingo, janeiro 06, 2008

podiam ser muitas coisas...

... mas acho que estou só cansada...

as pálpebras foram atacadas pela gravidade... a mucosa nasal também... o corpo quer dar-se à cama...

... entrega total.

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quinta-feira, dezembro 13, 2007

gravidade

tantas coisas etereas que pesam: o amor, a liberdade, o ciúme. a vida que pesa até à morte... é a gravidade em todas as coisas...

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quarta-feira, novembro 28, 2007

... apeteceu-me parar...

... e olhar para a fresta de inverno que está a acontecer. deixei-me ficar e respirei o ar frio e o vento gelado e os galhos nús das árvores, atormentadas diante do calor da minha janela ...

continuo parada, assim, diante do mundo, enquanto o meu mundo cresce.

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segunda-feira, novembro 19, 2007

o medo

todos os monstros
me acontecem
em silêncio
ou entre dois barulhos
que aparecem muito baixinho

(o silêncio é muito fundo
e escuro
e engole-nos para dentro dos pensamentos)

o medo também tem medo
do silêncio
e esconde-se debaixo da minha cama
para não o ouvir chegar

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segunda-feira, novembro 12, 2007

negócio

pagas o meu esperar-te
com um silêncio agudo e absoluto

temos que estabelecer outra moeda de troca
equilibrar as transacções
ou abrir falência
deste amor

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terça-feira, novembro 06, 2007

génesis

eras só um silêncio parado
à beira-corpo
disfarçado de vidas

vieste maquilhado de vazio
ocupar o espaço
extensamente breve
da má-criação





...............................(tombámos desde a origem)



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terça-feira, outubro 30, 2007

antes

antes que o dia acabe
e fique só esta margem
de um rio parado

antes que a manhã traga o orvalho
e o medo

escrevo-te nascentes, fontes e mar
escrevo-te seixos e paus e lodo

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sexta-feira, outubro 19, 2007

O erro do oitavo dia

depois da criação
o cansaço
ou a saturação
ou a satisfação genesíaca
tomaram conta de Deus

ao que parece esse foi o seu único erro:
esqueceu-se dos acertos
das correcções
das adaptações
e lançou o protótipo no mercado -
versão Homo Simius 0.1

(não se conhecem versões posteriores)
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segunda-feira, outubro 15, 2007

bem-aventuranças

bem-aventurados
os doidos
os loucos
e as bestas
porque são felizes:
compreendem o mundo aos bocadinhos
e isso lhes basta

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quarta-feira, outubro 10, 2007

Grenoble

esta paisagem são mulheres
de perfil
onde adivinho
nádegas ventres
e peitos
e vales de vulvas

não são as montanhas
que te rodeiam
mas as curvas
das mulheres deitadas
de perfil

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sexta-feira, setembro 21, 2007

... e esta música que não me sai da boca...

... por culpa de eu-sei-quem que me deu o CD "Clã e Sérgio Godinho ao Vivo" :)

Espalhem a notícia, Sérgio Godinho


Espalhem a notícia
do mistério da delícia
desse ventre
espalhem a notícia do que é quente
e se parece
com o que é firme e com o que é vago
esse ventre que eu afago
que eu bebia de um só trago
se pudesse

Divulguem o encanto
o ventre de que canto
que hoje toco
a pele onde à tardinha desemboco
tão cansado
esse ventre vagabundo
que foi rente e foi fecundo
que eu bebia até ao fundo
saciado

Eu fui ao fim do mundo
eu vou ao fundo de mim
vou ao fundo do mar
vou ao fundo do mar
no corpo de uma mulher
vou ao fundo do mar
no corpo de uma mulher bonita

encontrei em http://amorizade.weblog.com.pt/arquivo/2004/10/espalhem_a_noti.html
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quarta-feira, setembro 05, 2007

Stirling & Mel Gibson naquele filme...

a escrever de Stirling... de onde????

vamos por partes... lembram-se de um filme lamentável com Mel Gibson em que ele corria de saia às pregas e empunhando uma espada e gritando Freedom e outras coisas assim????? pois, aí, nessa cidade escocesa, terras altas, montanhas e vales e verde... como sou destas graças, fiz uma caminhada (digamos que longa e a pique) até à torre onde a cena "freedom" foi filmada (bem, pelo menos não fui a única)... paisagem linda, sem dúvida... aposto que o Mel também gostou... mas chegar à torre e ver uma estátua do actor disfarçado de libertador escocês e com "freedom" talhada na pedra fresca.... bom, é de morrer de rir... é como se começassem a contar a história em a.M e b.M (after & before Mel)...

domingo, agosto 26, 2007

finalmente...

... repondo à Idinha, sobre os livros 10 mais...

1. Shalimar, o Palhaço, de Salman Rushdie;
2. Em Nome da Terra, de Vergílio Ferreira;
3. L'étranger, de Albert Camus;
4. L'être et le néant, de J. P. Sartre;
5. Cien años de soledad, de Gabriel. G. Marques;
6. El llano en llamas, de Juan Rulfo;
7. As velas ardem até ao fim, de Sandor;
8. Tanta Gente, Mariana, de Maria Judite de Carvalho;
9. Antes que anoiteça, de Reinaldo Arenas;
10. (...)

domingo, agosto 12, 2007

metáfora

às vezes
emprestas-me as asas
e eu voo para longe
insegura na condução

e às vezes
perco-me com as tuas asas
e não sei regressar
e choro-nos
e prometo que nunca mais

e às vezes
devolvo-tas machucadas e sujas
dos acidentes
que acontecem
quando voamos em asas
que não são nossas
.

terça-feira, agosto 07, 2007

cansaço

estou cansada...

como diria o Pedro Paixão, "viver todos os dias cansa"... resta saber que definição se pode dar deste verbo...

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sexta-feira, julho 27, 2007

masoquismo

mordo-me como se me amasse

os dias passam em rodapé
entre masturbação e poesia
sem saber onde esqueci
os flamingos sem direcção
de asas perdidas à míngua de voo

mordo-me até me amar

terça-feira, julho 24, 2007

a J. - o meu Cavalo à Solta

Minha laranja amarga e doce
Meu poema feito de gomos de saudade
Minha pena pesada e leve
Secreta e pura
Minha passagem para o breve
Breve instante da loucura
Minha ousadia, meu galope, minha rédia,
Meu potro doido, minha chama,
Minha réstia de luz intensa, de voz aberta
Minha denúncia do que pensa
Do que sente a gente certa
Em ti respiro, em ti eu provo
Por ti consigo esta força que de novo
Em ti persigo, em ti percorro
Cavalo à solta pela margem do teu corpo
Minha alegria, minha amargura,
Minha coragem de correr contra a ternura
Minha laranja amarga e doce
Minha espada, poema feito de dois gumes
Tudo ou nada
Por ti renego, por ti aceito
Este corcel que não sossego
À desfilada no meu peito
Por isso digo canção castigo
Amêndoa, travo, corpo, alma
Amante, amigo
Por isso canto, por isso digo
Alpendre, casa, cama, arca do meu trigo
Minha alegria, minha amargura
Minha coragem de correr contra a ternura
Minha ousadia, minha aventura
Minha coragem de correr contra a ternura
Minha alegria, minha amargura
Minha coragem de correr contra a ternura
Minha ousadia, minha aventura
Minha coragem de correr contra a ternura
Minha alegria, minha aventura
Minha coragem de correr contra a ternura

Fernando Tordo - Cavalo à Solta
Letra de José Carlos Ary Dos Santos

sábado, julho 21, 2007

adultério

queria que o meu coração fosse uma pedra
para te atirar com ele

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quarta-feira, julho 18, 2007

e os últimos livros foram...

"The book of illusions", de Paul Auster;
"Small world", de David Lodge;
"The Prague orgy", de Philip Roth;
"the breast", de Philip Roth.
...

Não, não me passei, comprei em inglês mesmo, em Londres mesmo, para ler mesmo nesta língua que está longe de me aquecer ou de me arrefecer...

PS- comparada com Londres, Berlin é mais ou menos uma aldeia provinciana... e eu sempre gostei de meios rurais!!! :)
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segunda-feira, julho 09, 2007

dádiva

és a materna idade de onde nasci
nado-vivo sem nada por onde me dar

deste-me à luz
num parto doente e farto
e eu dei-te estes olhos mortos
transloucados de claridade

segunda-feira, julho 02, 2007

A fuga

Mergulhaste vertical na água das minhas mãos
e delas nasceram crias-sonho
aquáticas
com pestanas e penas translúcidas
que ganharam cor contigo.

Mas as crias-sonho retornaram-te
num repente de rapina.

No lugar delas ficaram só as minhas mãos
- estas mãos incrédulas -
cornucópias secadas
pelo voo arrasante do teu corpo.

sexta-feira, junho 29, 2007

rosas com espinhos

"Pelo despacho (...) de Inominável, de 29 de Junho, fica exonerado do cargo de ministro da saúde (nem tou a citar nomes) da República das Bananas o licenciado (na melhor das hipóteses!!!) que lá está, com efeitos à data do despacho, por não saber o que é liberdade de expressão e por ignorar que a pluralidade de opiniões é legítima num estado democrático. A sua política é feita em termos jocosos e pretende atingir todos os portugueses." e blá blá blá

Consirando ainda que

alínea a) estou mais ou menos protegida pelo anonimato ;
alínea b) as pessoas que me conhecem não são bufos;
alínea c) não ocupo qualquer cargo do qual possa ser exonerado;

faço saber a todos, dado o meu sentido de oportunidade, que estas rosas são muito mal-cheirosas...