era uma vez uma menina
a cantar no fundo do mar
nessa escuridão de lodo
nesse fundo de mar
era lá que cantava
onde ninguém podia ouvir
onde ninguém podia olhar
que era a cantar que chorava
.
quantidade máxima de vapor de água que o ar pode conter, a uma determinada temperatura
sábado, março 29, 2008
quarta-feira, março 12, 2008
da inutilidade de ter asas
o pássaro verde não é verde
e não tem cor
o pássaro que não é verde
é feito só de asas
e vive à solta numa gaiola
de porta aberta
.
e não tem cor
o pássaro que não é verde
é feito só de asas
e vive à solta numa gaiola
de porta aberta
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sexta-feira, março 07, 2008
as maiores emoções...
... têm causas tão pequenininhas... daquelas de ficar a olhar para o próprio umbigo, sem sentidos figurados nem conotações ;)
uma pequena volta para a humanidade, mas uma grande volta para mim. aposto que o N. Armstrong concordaria comigo...
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uma pequena volta para a humanidade, mas uma grande volta para mim. aposto que o N. Armstrong concordaria comigo...
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terça-feira, março 04, 2008
em que tipo de mulher me deveria incluir???
Mulheres
Já tive mulheres de todas as cores
De varias idades de muitos amores
Com umas até certo ponto fiquei,
Com outras apenas um pouco me dei.
Já tive mulheres do tipo atrevida
Do tipo acanhada, do tipo vivida,
Casada, carente, solteira e feliz
Já tive donzela e até meretriz.
Mulheres cabeças e desequilibradas
Mulheres confusas, de guerra e de paz
Mas nenhuma delas, me fez tão feliz
Como você me faz.
Procurei, em todas as mulheres a felicidade
Mas eu não encontrei fiquei na saudade
Foi começando bem mas tudo teve um fim.
Você é, o sol da minha vida a minha vontade
Você não é mentira, você é verdade
É tudo que um dia eu sonhei pra mim!
(1998)
Composição: Toninho Geraes
Interpretação : Martinho da Vila
Já tive mulheres de todas as cores
De varias idades de muitos amores
Com umas até certo ponto fiquei,
Com outras apenas um pouco me dei.
Já tive mulheres do tipo atrevida
Do tipo acanhada, do tipo vivida,
Casada, carente, solteira e feliz
Já tive donzela e até meretriz.
Mulheres cabeças e desequilibradas
Mulheres confusas, de guerra e de paz
Mas nenhuma delas, me fez tão feliz
Como você me faz.
Procurei, em todas as mulheres a felicidade
Mas eu não encontrei fiquei na saudade
Foi começando bem mas tudo teve um fim.
Você é, o sol da minha vida a minha vontade
Você não é mentira, você é verdade
É tudo que um dia eu sonhei pra mim!
(1998)
Composição: Toninho Geraes
Interpretação : Martinho da Vila
terça-feira, fevereiro 26, 2008
Resposta (curta-metragem 9)
Limitou-se a manter as mãos mergulhadas na louça suja. Preferiu não responder e continuou de costas voltadas para o inesperado da pergunta.
"Porque não respondes?"
Aquela era a sequência óbvia do monólogo e, por isso, não o quis interromper. O silêncio era agora mais incómodo e quente. Talvez também mais esclarecedor e ruidoso… Tinha acabado de perceber que algumas perguntas não devem ser colocadas apenas porque não há resposta para elas ou porque variam tanto que, passados alguns minutos ou dias, passam a ser menos verdade (ou mais mentiras!). Era, em linha recta, o que se estava a passar com aquele monólogo de aspirações a diálogo…
"Não vais mesmo responder?"
Naquele momento lembrara-se do sonho que tivera nessa noite e como limpava ainda toda a casa do peixe degolado que continuava a nadar sobre o mosaico e as passadeiras de soalho. Era assustador como uma noite dos mortos-vivos. Pensou que nada explicaria aquilo e continuou a lavar a loiça, encharcando as mãos em restos de comida e envolvendo-as na fofa e fedorenta camada de espuma que se acumulava à superfície da água… Que lírico! Uma elegia ao seu gosto por todas as tarefas domésticas!
Pensava também que não podia de facto pronunciar-se validamente porque nem sequer tinha pensado nos motivos da questão! E não tinha ainda verificado e categorizado os aspectos positivos, negativos e assim-assim que conduziriam à resposta. Mas precisaria mesmo de compreender os motivos? Seria assim tão necessário ponderar todas as vantagens e inconvenientes daquela pessoa, voltar a julgá-la sobre os seus critérios pessoais e intransmissíveis, espreitar-lhe a alma e tentar adivinhar-lhe as desgraças, as imundícies, os torpores, as obsessões, as mágoas, os medos, as merdas, os restos de criança, os embriões do tirano, do sacana e do proxeneta?
"Sabes que as minhas respostas têm prazo de validade, não é? Esta tem o período limite de um iogurte: 'Sim! Hoje amo-te'."
Quanto tempo levam os peixes mortos a decompôr-se?
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"Porque não respondes?"
Aquela era a sequência óbvia do monólogo e, por isso, não o quis interromper. O silêncio era agora mais incómodo e quente. Talvez também mais esclarecedor e ruidoso… Tinha acabado de perceber que algumas perguntas não devem ser colocadas apenas porque não há resposta para elas ou porque variam tanto que, passados alguns minutos ou dias, passam a ser menos verdade (ou mais mentiras!). Era, em linha recta, o que se estava a passar com aquele monólogo de aspirações a diálogo…
"Não vais mesmo responder?"
Naquele momento lembrara-se do sonho que tivera nessa noite e como limpava ainda toda a casa do peixe degolado que continuava a nadar sobre o mosaico e as passadeiras de soalho. Era assustador como uma noite dos mortos-vivos. Pensou que nada explicaria aquilo e continuou a lavar a loiça, encharcando as mãos em restos de comida e envolvendo-as na fofa e fedorenta camada de espuma que se acumulava à superfície da água… Que lírico! Uma elegia ao seu gosto por todas as tarefas domésticas!
Pensava também que não podia de facto pronunciar-se validamente porque nem sequer tinha pensado nos motivos da questão! E não tinha ainda verificado e categorizado os aspectos positivos, negativos e assim-assim que conduziriam à resposta. Mas precisaria mesmo de compreender os motivos? Seria assim tão necessário ponderar todas as vantagens e inconvenientes daquela pessoa, voltar a julgá-la sobre os seus critérios pessoais e intransmissíveis, espreitar-lhe a alma e tentar adivinhar-lhe as desgraças, as imundícies, os torpores, as obsessões, as mágoas, os medos, as merdas, os restos de criança, os embriões do tirano, do sacana e do proxeneta?
"Sabes que as minhas respostas têm prazo de validade, não é? Esta tem o período limite de um iogurte: 'Sim! Hoje amo-te'."
Quanto tempo levam os peixes mortos a decompôr-se?
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quinta-feira, fevereiro 14, 2008
aviso acerca do estado do mar...
... para todos os surfistas deste espaço...
vou estar ausente em parte incerta por alguns dias... chamem-lhe férias ou coisas mais doces! porquê?
?
?
?
vou estar ausente em parte incerta por alguns dias... chamem-lhe férias ou coisas mais doces! porquê?
?
?
?
sexta-feira, fevereiro 01, 2008
quarta-feira, janeiro 30, 2008
sexta-feira, janeiro 25, 2008
(sem título)
eu também quero estar perto do fogo
como tu a queimar erva e vudus
e a chamar nomes aos pássaros
a cuspir nas labaredas
e a destilar o conhac que só bebo por despeito
desfeita
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como tu a queimar erva e vudus
e a chamar nomes aos pássaros
a cuspir nas labaredas
e a destilar o conhac que só bebo por despeito
desfeita
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domingo, janeiro 06, 2008
podiam ser muitas coisas...
... mas acho que estou só cansada...
as pálpebras foram atacadas pela gravidade... a mucosa nasal também... o corpo quer dar-se à cama...
... entrega total.
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as pálpebras foram atacadas pela gravidade... a mucosa nasal também... o corpo quer dar-se à cama...
... entrega total.
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quinta-feira, dezembro 13, 2007
gravidade
tantas coisas etereas que pesam: o amor, a liberdade, o ciúme. a vida que pesa até à morte... é a gravidade em todas as coisas...
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quarta-feira, novembro 28, 2007
... apeteceu-me parar...
... e olhar para a fresta de inverno que está a acontecer. deixei-me ficar e respirei o ar frio e o vento gelado e os galhos nús das árvores, atormentadas diante do calor da minha janela ...
continuo parada, assim, diante do mundo, enquanto o meu mundo cresce.
.
continuo parada, assim, diante do mundo, enquanto o meu mundo cresce.
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segunda-feira, novembro 19, 2007
o medo
todos os monstros
me acontecem
em silêncio
ou entre dois barulhos
que aparecem muito baixinho
(o silêncio é muito fundo
e escuro
e engole-nos para dentro dos pensamentos)
o medo também tem medo
do silêncio
e esconde-se debaixo da minha cama
para não o ouvir chegar
.
me acontecem
em silêncio
ou entre dois barulhos
que aparecem muito baixinho
(o silêncio é muito fundo
e escuro
e engole-nos para dentro dos pensamentos)
o medo também tem medo
do silêncio
e esconde-se debaixo da minha cama
para não o ouvir chegar
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segunda-feira, novembro 12, 2007
negócio
pagas o meu esperar-te
com um silêncio agudo e absoluto
temos que estabelecer outra moeda de troca
equilibrar as transacções
ou abrir falência
deste amor
.
com um silêncio agudo e absoluto
temos que estabelecer outra moeda de troca
equilibrar as transacções
ou abrir falência
deste amor
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terça-feira, novembro 06, 2007
génesis
eras só um silêncio parado
à beira-corpo
disfarçado de vidas
vieste maquilhado de vazio
ocupar o espaço
extensamente breve
da má-criação
...............................(tombámos desde a origem)
.
à beira-corpo
disfarçado de vidas
vieste maquilhado de vazio
ocupar o espaço
extensamente breve
da má-criação
...............................(tombámos desde a origem)
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terça-feira, outubro 30, 2007
antes
antes que o dia acabe
e fique só esta margem
de um rio parado
antes que a manhã traga o orvalho
e o medo
escrevo-te nascentes, fontes e mar
escrevo-te seixos e paus e lodo
.
e fique só esta margem
de um rio parado
antes que a manhã traga o orvalho
e o medo
escrevo-te nascentes, fontes e mar
escrevo-te seixos e paus e lodo
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sexta-feira, outubro 19, 2007
O erro do oitavo dia
depois da criação
o cansaço
ou a saturação
ou a satisfação genesíaca
tomaram conta de Deus
ao que parece esse foi o seu único erro:
esqueceu-se dos acertos
das correcções
das adaptações
e lançou o protótipo no mercado -
versão Homo Simius 0.1
(não se conhecem versões posteriores)
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o cansaço
ou a saturação
ou a satisfação genesíaca
tomaram conta de Deus
ao que parece esse foi o seu único erro:
esqueceu-se dos acertos
das correcções
das adaptações
e lançou o protótipo no mercado -
versão Homo Simius 0.1
(não se conhecem versões posteriores)
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segunda-feira, outubro 15, 2007
bem-aventuranças
bem-aventurados
os doidos
os loucos
e as bestas
porque são felizes:
compreendem o mundo aos bocadinhos
e isso lhes basta
.
os doidos
os loucos
e as bestas
porque são felizes:
compreendem o mundo aos bocadinhos
e isso lhes basta
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quarta-feira, outubro 10, 2007
Grenoble
esta paisagem são mulheres
de perfil
onde adivinho
nádegas ventres
e peitos
e vales de vulvas
não são as montanhas
que te rodeiam
mas as curvas
das mulheres deitadas
de perfil
.
de perfil
onde adivinho
nádegas ventres
e peitos
e vales de vulvas
não são as montanhas
que te rodeiam
mas as curvas
das mulheres deitadas
de perfil
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sexta-feira, setembro 21, 2007
... e esta música que não me sai da boca...
... por culpa de eu-sei-quem que me deu o CD "Clã e Sérgio Godinho ao Vivo" :)
Espalhem a notícia, Sérgio Godinho
Espalhem a notícia
do mistério da delícia
desse ventre
espalhem a notícia do que é quente
e se parece
com o que é firme e com o que é vago
esse ventre que eu afago
que eu bebia de um só trago
se pudesse
Divulguem o encanto
o ventre de que canto
que hoje toco
a pele onde à tardinha desemboco
tão cansado
esse ventre vagabundo
que foi rente e foi fecundo
que eu bebia até ao fundo
saciado
Eu fui ao fim do mundo
eu vou ao fundo de mim
vou ao fundo do mar
vou ao fundo do mar
no corpo de uma mulher
vou ao fundo do mar
no corpo de uma mulher bonita
encontrei em http://amorizade.weblog.com.pt/arquivo/2004/10/espalhem_a_noti.html
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Espalhem a notícia, Sérgio Godinho
Espalhem a notícia
do mistério da delícia
desse ventre
espalhem a notícia do que é quente
e se parece
com o que é firme e com o que é vago
esse ventre que eu afago
que eu bebia de um só trago
se pudesse
Divulguem o encanto
o ventre de que canto
que hoje toco
a pele onde à tardinha desemboco
tão cansado
esse ventre vagabundo
que foi rente e foi fecundo
que eu bebia até ao fundo
saciado
Eu fui ao fim do mundo
eu vou ao fundo de mim
vou ao fundo do mar
vou ao fundo do mar
no corpo de uma mulher
vou ao fundo do mar
no corpo de uma mulher bonita
encontrei em http://amorizade.weblog.com.pt/arquivo/2004/10/espalhem_a_noti.html
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quarta-feira, setembro 05, 2007
Stirling & Mel Gibson naquele filme...
a escrever de Stirling... de onde????
vamos por partes... lembram-se de um filme lamentável com Mel Gibson em que ele corria de saia às pregas e empunhando uma espada e gritando Freedom e outras coisas assim????? pois, aí, nessa cidade escocesa, terras altas, montanhas e vales e verde... como sou destas graças, fiz uma caminhada (digamos que longa e a pique) até à torre onde a cena "freedom" foi filmada (bem, pelo menos não fui a única)... paisagem linda, sem dúvida... aposto que o Mel também gostou... mas chegar à torre e ver uma estátua do actor disfarçado de libertador escocês e com "freedom" talhada na pedra fresca.... bom, é de morrer de rir... é como se começassem a contar a história em a.M e b.M (after & before Mel)...
vamos por partes... lembram-se de um filme lamentável com Mel Gibson em que ele corria de saia às pregas e empunhando uma espada e gritando Freedom e outras coisas assim????? pois, aí, nessa cidade escocesa, terras altas, montanhas e vales e verde... como sou destas graças, fiz uma caminhada (digamos que longa e a pique) até à torre onde a cena "freedom" foi filmada (bem, pelo menos não fui a única)... paisagem linda, sem dúvida... aposto que o Mel também gostou... mas chegar à torre e ver uma estátua do actor disfarçado de libertador escocês e com "freedom" talhada na pedra fresca.... bom, é de morrer de rir... é como se começassem a contar a história em a.M e b.M (after & before Mel)...
domingo, agosto 26, 2007
finalmente...
... repondo à Idinha, sobre os livros 10 mais...
1. Shalimar, o Palhaço, de Salman Rushdie;
2. Em Nome da Terra, de Vergílio Ferreira;
3. L'étranger, de Albert Camus;
4. L'être et le néant, de J. P. Sartre;
5. Cien años de soledad, de Gabriel. G. Marques;
6. El llano en llamas, de Juan Rulfo;
7. As velas ardem até ao fim, de Sandor;
8. Tanta Gente, Mariana, de Maria Judite de Carvalho;
9. Antes que anoiteça, de Reinaldo Arenas;
10. (...)
1. Shalimar, o Palhaço, de Salman Rushdie;
2. Em Nome da Terra, de Vergílio Ferreira;
3. L'étranger, de Albert Camus;
4. L'être et le néant, de J. P. Sartre;
5. Cien años de soledad, de Gabriel. G. Marques;
6. El llano en llamas, de Juan Rulfo;
7. As velas ardem até ao fim, de Sandor;
8. Tanta Gente, Mariana, de Maria Judite de Carvalho;
9. Antes que anoiteça, de Reinaldo Arenas;
10. (...)
domingo, agosto 12, 2007
metáfora
às vezes
emprestas-me as asas
e eu voo para longe
insegura na condução
e às vezes
perco-me com as tuas asas
e não sei regressar
e choro-nos
e prometo que nunca mais
e às vezes
devolvo-tas machucadas e sujas
dos acidentes
que acontecem
quando voamos em asas
que não são nossas
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emprestas-me as asas
e eu voo para longe
insegura na condução
e às vezes
perco-me com as tuas asas
e não sei regressar
e choro-nos
e prometo que nunca mais
e às vezes
devolvo-tas machucadas e sujas
dos acidentes
que acontecem
quando voamos em asas
que não são nossas
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terça-feira, agosto 07, 2007
cansaço
estou cansada...
como diria o Pedro Paixão, "viver todos os dias cansa"... resta saber que definição se pode dar deste verbo...
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como diria o Pedro Paixão, "viver todos os dias cansa"... resta saber que definição se pode dar deste verbo...
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sexta-feira, julho 27, 2007
masoquismo
mordo-me como se me amasse
os dias passam em rodapé
entre masturbação e poesia
sem saber onde esqueci
os flamingos sem direcção
de asas perdidas à míngua de voo
mordo-me até me amar
os dias passam em rodapé
entre masturbação e poesia
sem saber onde esqueci
os flamingos sem direcção
de asas perdidas à míngua de voo
mordo-me até me amar
terça-feira, julho 24, 2007
a J. - o meu Cavalo à Solta
Minha laranja amarga e doce
Meu poema feito de gomos de saudade
Minha pena pesada e leve
Secreta e pura
Minha passagem para o breve
Breve instante da loucura
Minha ousadia, meu galope, minha rédia,
Meu potro doido, minha chama,
Minha réstia de luz intensa, de voz aberta
Minha denúncia do que pensa
Do que sente a gente certa
Em ti respiro, em ti eu provo
Por ti consigo esta força que de novo
Em ti persigo, em ti percorro
Cavalo à solta pela margem do teu corpo
Minha alegria, minha amargura,
Minha coragem de correr contra a ternura
Minha laranja amarga e doce
Minha espada, poema feito de dois gumes
Tudo ou nada
Por ti renego, por ti aceito
Este corcel que não sossego
À desfilada no meu peito
Por isso digo canção castigo
Amêndoa, travo, corpo, alma
Amante, amigo
Por isso canto, por isso digo
Alpendre, casa, cama, arca do meu trigo
Minha alegria, minha amargura
Minha coragem de correr contra a ternura
Minha ousadia, minha aventura
Minha coragem de correr contra a ternura
Minha alegria, minha amargura
Minha coragem de correr contra a ternura
Minha ousadia, minha aventura
Minha coragem de correr contra a ternura
Minha alegria, minha aventura
Minha coragem de correr contra a ternura
Fernando Tordo - Cavalo à Solta
Letra de José Carlos Ary Dos Santos
Meu poema feito de gomos de saudade
Minha pena pesada e leve
Secreta e pura
Minha passagem para o breve
Breve instante da loucura
Minha ousadia, meu galope, minha rédia,
Meu potro doido, minha chama,
Minha réstia de luz intensa, de voz aberta
Minha denúncia do que pensa
Do que sente a gente certa
Em ti respiro, em ti eu provo
Por ti consigo esta força que de novo
Em ti persigo, em ti percorro
Cavalo à solta pela margem do teu corpo
Minha alegria, minha amargura,
Minha coragem de correr contra a ternura
Minha laranja amarga e doce
Minha espada, poema feito de dois gumes
Tudo ou nada
Por ti renego, por ti aceito
Este corcel que não sossego
À desfilada no meu peito
Por isso digo canção castigo
Amêndoa, travo, corpo, alma
Amante, amigo
Por isso canto, por isso digo
Alpendre, casa, cama, arca do meu trigo
Minha alegria, minha amargura
Minha coragem de correr contra a ternura
Minha ousadia, minha aventura
Minha coragem de correr contra a ternura
Minha alegria, minha amargura
Minha coragem de correr contra a ternura
Minha ousadia, minha aventura
Minha coragem de correr contra a ternura
Minha alegria, minha aventura
Minha coragem de correr contra a ternura
Fernando Tordo - Cavalo à Solta
Letra de José Carlos Ary Dos Santos
sábado, julho 21, 2007
quarta-feira, julho 18, 2007
e os últimos livros foram...
"The book of illusions", de Paul Auster;
"Small world", de David Lodge;
"The Prague orgy", de Philip Roth;
"the breast", de Philip Roth.
...
Não, não me passei, comprei em inglês mesmo, em Londres mesmo, para ler mesmo nesta língua que está longe de me aquecer ou de me arrefecer...
PS- comparada com Londres, Berlin é mais ou menos uma aldeia provinciana... e eu sempre gostei de meios rurais!!! :)
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"Small world", de David Lodge;
"The Prague orgy", de Philip Roth;
"the breast", de Philip Roth.
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Não, não me passei, comprei em inglês mesmo, em Londres mesmo, para ler mesmo nesta língua que está longe de me aquecer ou de me arrefecer...
PS- comparada com Londres, Berlin é mais ou menos uma aldeia provinciana... e eu sempre gostei de meios rurais!!! :)
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segunda-feira, julho 09, 2007
dádiva
és a materna idade de onde nasci
nado-vivo sem nada por onde me dar
deste-me à luz
num parto doente e farto
e eu dei-te estes olhos mortos
transloucados de claridade
nado-vivo sem nada por onde me dar
deste-me à luz
num parto doente e farto
e eu dei-te estes olhos mortos
transloucados de claridade
segunda-feira, julho 02, 2007
A fuga
Mergulhaste vertical na água das minhas mãos
e delas nasceram crias-sonho
aquáticas
com pestanas e penas translúcidas
que ganharam cor contigo.
Mas as crias-sonho retornaram-te
num repente de rapina.
No lugar delas ficaram só as minhas mãos
- estas mãos incrédulas -
cornucópias secadas
pelo voo arrasante do teu corpo.
e delas nasceram crias-sonho
aquáticas
com pestanas e penas translúcidas
que ganharam cor contigo.
Mas as crias-sonho retornaram-te
num repente de rapina.
No lugar delas ficaram só as minhas mãos
- estas mãos incrédulas -
cornucópias secadas
pelo voo arrasante do teu corpo.
sexta-feira, junho 29, 2007
rosas com espinhos
"Pelo despacho (...) de Inominável, de 29 de Junho, fica exonerado do cargo de ministro da saúde (nem tou a citar nomes) da República das Bananas o licenciado (na melhor das hipóteses!!!) que lá está, com efeitos à data do despacho, por não saber o que é liberdade de expressão e por ignorar que a pluralidade de opiniões é legítima num estado democrático. A sua política é feita em termos jocosos e pretende atingir todos os portugueses." e blá blá blá
Consirando ainda que
alínea a) estou mais ou menos protegida pelo anonimato ;
alínea b) as pessoas que me conhecem não são bufos;
alínea c) não ocupo qualquer cargo do qual possa ser exonerado;
faço saber a todos, dado o meu sentido de oportunidade, que estas rosas são muito mal-cheirosas...
Consirando ainda que
alínea a) estou mais ou menos protegida pelo anonimato ;
alínea b) as pessoas que me conhecem não são bufos;
alínea c) não ocupo qualquer cargo do qual possa ser exonerado;
faço saber a todos, dado o meu sentido de oportunidade, que estas rosas são muito mal-cheirosas...
quarta-feira, junho 27, 2007
especulação
não sou dada a especulações e não quero levantar falsos testemunhos em público... mas tenho uma questão que me tem deixado enduvidada: O MONÓLOGO É POSSÍVEL?
se estou a falar comigo (é a porra do "monólogo" interior) ou para os meus botões ou para o boneco, há um destinatário... ou eu ou os meus botões ou o boneco... até o Santo António soube disso e foi pregar aos peixes...
às vezes eu respondo-me e continuo a falar comigo durante muito tempo, levanto-me questões, levanto-me objecções, levanto-me a moral... os meus botões são um pouco mais tímidos, mas respondem da sua redondez com o silêncio que lhes é habitual e eu sei logo que há algo nas minhas palavras que não bate certo e reformulo... o boneco responde muito baixinho (nunca compreendi o que dizia) e olha-me com os olhos sempre abertos de uma sabedoria esfíngica... eu leio a sua perplexidade e remisturo as palavras...
sobre os peixes do Santo não vou falar porque já não me lembro onde é que ele os encontrou (e esse lugar faria parte do contexto de produção do diálogo) e posso danificar a riqueza intercultural e linguística do referido encontro... e não sou dada a especulações...
se estou a falar comigo (é a porra do "monólogo" interior) ou para os meus botões ou para o boneco, há um destinatário... ou eu ou os meus botões ou o boneco... até o Santo António soube disso e foi pregar aos peixes...
às vezes eu respondo-me e continuo a falar comigo durante muito tempo, levanto-me questões, levanto-me objecções, levanto-me a moral... os meus botões são um pouco mais tímidos, mas respondem da sua redondez com o silêncio que lhes é habitual e eu sei logo que há algo nas minhas palavras que não bate certo e reformulo... o boneco responde muito baixinho (nunca compreendi o que dizia) e olha-me com os olhos sempre abertos de uma sabedoria esfíngica... eu leio a sua perplexidade e remisturo as palavras...
sobre os peixes do Santo não vou falar porque já não me lembro onde é que ele os encontrou (e esse lugar faria parte do contexto de produção do diálogo) e posso danificar a riqueza intercultural e linguística do referido encontro... e não sou dada a especulações...
quarta-feira, junho 20, 2007
segunda-feira, junho 18, 2007
Uma emoção muito forte é...
... ler "Le requiem de Terezin" de (Josef Bor) com o embalo do Requiem de Verdi...
"Raphaël Schächter, pianiste et chef d’orchestre tchécoslovaque, arrive au camp de Terezin le 30 novembre 1941 et le quitte pour Auschwitz le 16 octobre 1944. Entre ces deux dates, il réussit, en dix-huit mois d’efforts désespérés, à répéter et à faire jouer le Requiem de Verdi. Josef Bor (1906-1979) raconte cette histoire vraie en s’inspirant des versets du Requiem et en associant sa réflexion sur l’histoire à une méditation sur la musique. Une oeuvre unique, d’une remarquable vitalité."
"Raphaël Schächter, pianiste et chef d’orchestre tchécoslovaque, arrive au camp de Terezin le 30 novembre 1941 et le quitte pour Auschwitz le 16 octobre 1944. Entre ces deux dates, il réussit, en dix-huit mois d’efforts désespérés, à répéter et à faire jouer le Requiem de Verdi. Josef Bor (1906-1979) raconte cette histoire vraie en s’inspirant des versets du Requiem et en associant sa réflexion sur l’histoire à une méditation sur la musique. Une oeuvre unique, d’une remarquable vitalité."
domingo, junho 10, 2007
Paris, je t'aime
já não vinha a Paris há muito tempo... digamos que desde os meus 26 ou 27 anos... bom, há três anos que não percorria esta cidade até ficar com os calcanhares em água, os tornozelos inchados e os joelhos a quererem dobrar-se... ontem fiquei assim e acrescento o imenso calor que tinha em todos os lugares... a cidade nocturna era um caldeirão de pessoas... de pernas e braços e mãos e cabeças... é disso que eu gosto: de cidades que são caldeirões de pessoas e onde o anonimato e a ausência e a pequenez são as únicas presenças possíveis...
e dos namorados au bord de la Seine... e dos beijos que não são à R. Doisneau mas se aproximam... e eu fico a pensar porque raio é que ninguém me apanha assim no meio da multidão e me explica porque é que Paris é a cidade do amor... pois, "naqueles braços"...
quem viu "la môme" (ou La vie en rose) sabe que a cidade mudou muito... mas a vibração... bom... a vibração... bom... a vibração... bom...
PS_ e as saudades de Berlin... "daqueles braços"...
e dos namorados au bord de la Seine... e dos beijos que não são à R. Doisneau mas se aproximam... e eu fico a pensar porque raio é que ninguém me apanha assim no meio da multidão e me explica porque é que Paris é a cidade do amor... pois, "naqueles braços"...
quem viu "la môme" (ou La vie en rose) sabe que a cidade mudou muito... mas a vibração... bom... a vibração... bom... a vibração... bom...
PS_ e as saudades de Berlin... "daqueles braços"...
segunda-feira, junho 04, 2007
Paixão certa
Não digas como me comportar diante dela… Dela que não me conhece, que nunca ouviu falar de mim, que ignora o dia em que irá encontrar-me. Que ignora em que dia serei dela…
Não me digas que palavras usar para me defender das humilhações impostas pela sua mão estendida, pela sua altura diante de mim, homem miúdo, encolhido, sumido, olhando o infinito invisível e pesado.
Sobretudo, não me dês conselhos: um dia precisarás deles pois serão os mesmos para ti. Também serás dela, como o Pedro, o Helder e a Rita. Ninguém escapa ao seu olhar sedutor e final, ao seu respirar junto à pele, à sua forma imprevisível de nos arrebatar! No dia em que a vires, terás sucumbido aos seus pés, julgando encontrar o paraíso entre as pernas de uma prostituta. Porque ela é prostituta, puta louca e sem preço que tudo faz por prazer, saltando de corpo em corpo, de vida moribunda em direcção a outra! (Todo o corpo é já vida moribunda, areia contada numa ampulheta opaca…)
Não digas nada. Ainda não. Podes ficar aqui, apenas com o que sou, sabendo que te vou deixar e partir com ela. Quando ela vier, serás abençoada por uma solidão temporária, até que (se) venha para ti também!
A Morte é uma prostituta bissexual, como convém a este negócio que envolve carnes.
Não me digas que palavras usar para me defender das humilhações impostas pela sua mão estendida, pela sua altura diante de mim, homem miúdo, encolhido, sumido, olhando o infinito invisível e pesado.
Sobretudo, não me dês conselhos: um dia precisarás deles pois serão os mesmos para ti. Também serás dela, como o Pedro, o Helder e a Rita. Ninguém escapa ao seu olhar sedutor e final, ao seu respirar junto à pele, à sua forma imprevisível de nos arrebatar! No dia em que a vires, terás sucumbido aos seus pés, julgando encontrar o paraíso entre as pernas de uma prostituta. Porque ela é prostituta, puta louca e sem preço que tudo faz por prazer, saltando de corpo em corpo, de vida moribunda em direcção a outra! (Todo o corpo é já vida moribunda, areia contada numa ampulheta opaca…)
Não digas nada. Ainda não. Podes ficar aqui, apenas com o que sou, sabendo que te vou deixar e partir com ela. Quando ela vier, serás abençoada por uma solidão temporária, até que (se) venha para ti também!
A Morte é uma prostituta bissexual, como convém a este negócio que envolve carnes.
quarta-feira, maio 30, 2007
mas afinal, onde estive?
homens e mulheres para lá de giros, mini-saias, decotes e calções, qual véu, qual carapuça, quilos de maquilhagem para elas, muita ousadia e flirt para elas e eles, algum álcool e muito tabaco, sem distinção... muitos carapaus de corrida, muitas gazelas na Primavera...
mais pistas? bandeirinhas vermelhas e a carinha cínica do presidente por todo o lado (não vou falar da imprensa escrita com um ratio de uma menção ao nome do presidente por parágrafo), o lilás das pontes, os campos e as ruas semeados de sacos plásticos e papéis variados...
ainda mais pistas?
mais pistas? bandeirinhas vermelhas e a carinha cínica do presidente por todo o lado (não vou falar da imprensa escrita com um ratio de uma menção ao nome do presidente por parágrafo), o lilás das pontes, os campos e as ruas semeados de sacos plásticos e papéis variados...
ainda mais pistas?
terça-feira, maio 15, 2007
Newton reescrito
de tanto voar
fechou as asas
e deixou-se vir
pelos céus abaixo
caído
contra as leis metafísicas
um pardal
de vôo anónimo
e de anónimos ânimos
provou que a liberdade
também pesa
fechou as asas
e deixou-se vir
pelos céus abaixo
caído
contra as leis metafísicas
um pardal
de vôo anónimo
e de anónimos ânimos
provou que a liberdade
também pesa
quarta-feira, maio 09, 2007
resposta do amigo
as minhas velas
não ardem até ao fim:
apago-as sadicamente
sufocando-as do ar
com que me consomem
ou esmago o caule da chama
no poço líquido da cera quente
(nas intermitências da luz
e da morte
escondem-se os fantasmas
que abrigo debaixo da cama)
apagadas
deixam-se ficar na memória
acesas e coradas
como uma memória
nunca acendo as velas que apaguei:
extintas não me queimariam
não ardem até ao fim:
apago-as sadicamente
sufocando-as do ar
com que me consomem
ou esmago o caule da chama
no poço líquido da cera quente
(nas intermitências da luz
e da morte
escondem-se os fantasmas
que abrigo debaixo da cama)
apagadas
deixam-se ficar na memória
acesas e coradas
como uma memória
nunca acendo as velas que apaguei:
extintas não me queimariam
terça-feira, maio 08, 2007
E se eu fosse uma personagem de "Sexo & a Cidade"?
domingo, maio 06, 2007
sonífero
e
antes de adormecer
boiando na superfície do teu corpo
pergunto-me
se elas também te beijavam os ombros
oferecidos agora
horizontalmente
à minha boca
antes de adormecer
boiando na superfície do teu corpo
pergunto-me
se elas também te beijavam os ombros
oferecidos agora
horizontalmente
à minha boca
quarta-feira, maio 02, 2007
reduzir, reciclar, reutilizar...
andava à procura de algo para publicar aqui e eis que volto a descobrir a sub-pasta "The recycle bin of love", na pasta "XXX - o eu proíbido"... estes nomes são coisas para analisar psiquiatricamente... ou mesmo freudianamente... ou apenas rir e chorar por mais...
já não me bastava ter um "recycle bin" no desktop, sempre cheio e na expectativa de ser esvaziado sem voltar a necessitar do lixo que para lá remeti, como ainda tenho um tambor cheio de lixo emocional (por sinal, já não o reciclo há muito tempo!)... amores descartáveis... sentimentos efémeros...
parece que o meu espírito ecologista está em alta... pergunto-me o que significará reduzir, reciclar e reutilizar um amor... e mais, pergunto-me se é possível... e para que servirá aquela sub-pasta há tanto tempo guardada... sobretudo com um ficheiro word lá dentro que se chama "ver esta reles humanidade com mais piedade e perdoar-me de lhe pertencer"... t(r)emores...
já não me bastava ter um "recycle bin" no desktop, sempre cheio e na expectativa de ser esvaziado sem voltar a necessitar do lixo que para lá remeti, como ainda tenho um tambor cheio de lixo emocional (por sinal, já não o reciclo há muito tempo!)... amores descartáveis... sentimentos efémeros...
parece que o meu espírito ecologista está em alta... pergunto-me o que significará reduzir, reciclar e reutilizar um amor... e mais, pergunto-me se é possível... e para que servirá aquela sub-pasta há tanto tempo guardada... sobretudo com um ficheiro word lá dentro que se chama "ver esta reles humanidade com mais piedade e perdoar-me de lhe pertencer"... t(r)emores...
quarta-feira, abril 25, 2007
Poema de Abril póstumo
um poema pequenino
sai à rua
mas já não é Abril
a sua voz seca no chão
entre os cravos enrugados
sai à rua
mas já não é Abril
a sua voz seca no chão
entre os cravos enrugados
terça-feira, abril 24, 2007
Impressões de expressões
de duas exposições temporárias no Reina Sofia (Madrid), no passado fim-de-semana, surgem-me secas à garganta estas palavras...
da exposição de Darío Villalba - o homem encapsulado. a redoma. a solidão. a impenetrabilidade. a bilis. o fel. o medo. o anonimato. a castração.
da exposição de Chuck Close - as pessoas a ganhar significado apenas ao longe ou quando delas nos afastamos. de perto, pontos e pontos e pontos e pontos sem significado, abstraídos do conjunto que são. de perto, só os pedaços incoerentes e imperfeitos. quando nos afastamos, compomos a visão de conjunto e o que fica é afinal um rosto individualizado... afastamento e proximidade: duas formas de abstracção.
impossível ficar imune... ainda dizem que a arte não serve para nada...
da exposição de Darío Villalba - o homem encapsulado. a redoma. a solidão. a impenetrabilidade. a bilis. o fel. o medo. o anonimato. a castração.
da exposição de Chuck Close - as pessoas a ganhar significado apenas ao longe ou quando delas nos afastamos. de perto, pontos e pontos e pontos e pontos sem significado, abstraídos do conjunto que são. de perto, só os pedaços incoerentes e imperfeitos. quando nos afastamos, compomos a visão de conjunto e o que fica é afinal um rosto individualizado... afastamento e proximidade: duas formas de abstracção.
impossível ficar imune... ainda dizem que a arte não serve para nada...
segunda-feira, abril 16, 2007
Desgaste
Eu tenho comidas preferidas
e palavras preferidas
e pessoas.
Todas efémeras
consumíveis
enjoáveis.
Pré-feridas.
e palavras preferidas
e pessoas.
Todas efémeras
consumíveis
enjoáveis.
Pré-feridas.
quinta-feira, abril 12, 2007
destruição e criação
– se eu um dia me transformar em noz, bates-me até partir a casca?
– porquê isso?
– sinto-me cada vez mais fechada e dura.
– posso antes semear a noz e ver que fruto vem?
(tenho medo de me transformar em noz)
– porquê isso?
– sinto-me cada vez mais fechada e dura.
– posso antes semear a noz e ver que fruto vem?
(tenho medo de me transformar em noz)
terça-feira, abril 03, 2007
Schönes Wetter in Berlin
isto está mesmo wunderbar!!! olho pela janela e mesmo as árvores mais tímidas começam a jorrar verde. os arbustos variam entre amarelo e cor-de-rosinha... a Primavera entra-me pelos olhos enquanto estou a trabalhar e deflagra-me no cérebro químicos afrodisíacos...
os Berlinenses andam excitadíssimos com esta Primavera avant-garde: as esplanadas estão cheias, os decotes e as mini-saias proliferam, os ciclistas já fizeram os calções sair das gavetas (mas quem vê pernas não vê corações!)...
já só falta o Cariño chegar para me despregar do ecrãn!!!!
PS- reparo que era mais coerente escrever isto em alemão! Acho que deveria voltar para a escola (Deutsch als Fremdsprache)!!! Pois, ja ja, mais acham que é fácil?
os Berlinenses andam excitadíssimos com esta Primavera avant-garde: as esplanadas estão cheias, os decotes e as mini-saias proliferam, os ciclistas já fizeram os calções sair das gavetas (mas quem vê pernas não vê corações!)...
já só falta o Cariño chegar para me despregar do ecrãn!!!!
PS- reparo que era mais coerente escrever isto em alemão! Acho que deveria voltar para a escola (Deutsch als Fremdsprache)!!! Pois, ja ja, mais acham que é fácil?
domingo, abril 01, 2007
1º de Abril, poisson d'avril
quinta-feira, março 29, 2007
medir
o tempo anda às voltas
circular
como em torno de magma
meço a duração
com o compasso de espera
e ardo
circular
como em torno de magma
meço a duração
com o compasso de espera
e ardo
terça-feira, março 20, 2007
a dar as últimas...
... nos últimos dias da temporada em Aveiro...
ficam na memória os filmes que vi - e foram muitos e legendados em Português, olha ò luxo - e os livros que me apaixonaram nestes entretantos: "Le maître des âmes" (Irène Némirovsky), "Pássaro Pintado" (Jerzy Kosinski) e "As velas ardem até ao fim" (Sándor Márai). Denominador comum: a II G.M., do pré ao pós-guerra...
... e hoje é um dia feliz: a Lili faz anos!!! e ela é a minha alegria :)
ficam na memória os filmes que vi - e foram muitos e legendados em Português, olha ò luxo - e os livros que me apaixonaram nestes entretantos: "Le maître des âmes" (Irène Némirovsky), "Pássaro Pintado" (Jerzy Kosinski) e "As velas ardem até ao fim" (Sándor Márai). Denominador comum: a II G.M., do pré ao pós-guerra...
... e hoje é um dia feliz: a Lili faz anos!!! e ela é a minha alegria :)
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