segunda-feira, novembro 19, 2007

o medo

todos os monstros
me acontecem
em silêncio
ou entre dois barulhos
que aparecem muito baixinho

(o silêncio é muito fundo
e escuro
e engole-nos para dentro dos pensamentos)

o medo também tem medo
do silêncio
e esconde-se debaixo da minha cama
para não o ouvir chegar

.

13 comentários:

Luis Eme disse...

monstros, silêncios,
medos, camas...

palavras que se colam, assustadas, porque há alguém na penumbra,
que não tem nome...

e escreve poesia...

Maria Muadié disse...

"medo é a morte mal vestida"
Andrea Del Fuego

Maria disse...

Excelente poema....

Beijos

legivel disse...

tenho receio de ter medo
e não sei qual o segredo
de enfrentar a verdade
é capaz de já ser tarde

olho o relógio de pulso
e oiço um choro convulso
a verdade aqui tão perto
triste imensa qual deserto

faltam vinte para as três
olho-a nos olhos de vez
bebo-lhe o pranto salgado
a verdade foi passado



pergunto-me como é que nascem as palavras. cheguem de frança? no bico da cegonha? ou são feitas numa manhã de sexo tórrido? não sei. elas estão aí e eu só tive o trabalho de as escrever porque vida já elas têm.

inominável disse...

o teu comentário meta-poético é muito reflectido... mais do que lhe queres dar a (a)parecer...

Mar Arável disse...

COITADOS DOS QUE NÃO APRENDEM

A OUVIR O SILÊNCIO

un dress disse...

assusta-me tanta coisa....
levo do teu poema, uma espécie de autenticação e legitimação à fragilidade mais profunda.


como daí abaixo...também...o choro e os dias que se ovem por dentrO.





.beijO

un dress disse...

movem

inominável disse...

"autenticação e legitimação à fragilidade mais profunda"... bolas, o teu comentário é melhor que as minhas palavras... e eu só cá verti algumas...

isabel victor disse...

“(…) Já reparou naquilo a que chamo a agonia do trabalho? Toda a nossa vida gira em função do trabalho. Quando se pergunta a alguém o que é, nunca temos a resposta: sou homem ou sou mulher. Diz-se: sou engenheiro, electricista, médico. Só se é gente em referência ao trabalho. Um desempregado sente-se um pária e, todavia, ele é gente, a coisa mais extraordinária que se pode ser(…)”.

Agostinho da Silva

legivel disse...

Ao cuidado da Mui Digna Senhora Dona Marquesa de Shoneberg:


Deodato está vivo stopFoi para o campo de armas e bagagensstop

Claudia Sousa Dias disse...

Não é o silêncio de baixo da cama que me incomoda, mas o das paredes nuas de um quarto sem tapetes, sem livros e sem um rádio ou cd's para onde eu me possa evadir...


CSD

lamia disse...

Nem sempre o silêncio é escuro ou invisível, mas o chão sobre o qual caminha não deixa de ranger.