sexta-feira, outubro 06, 2006

Pretérito Perfeito (curta-metragem 5)

Podia ter dito que apenas te queria foder… Não ter uma dessas relações em que se brinca aos namorados até que alguém sofra. Para brincar já tens um! Pensei que me conhecesses o suficiente para adivinhares que há assuntos e interesses e motivações mais preementes na minha vida: a pesca, os amigos, outras mulheres, mais mulheres… No fundo, nunca quis que quisesses mais de mim, mais do que eu quis de ti, mais do que ambos quisemos um do outro, mais do que foi. FOI. Pretérito perfeito. Acabado. Que já não se prolonga no presente.

Para quê continuares a insistir e a tentar perceber o que aconteceu? Não te leva a nada! É inconveniente! Tu foste só aquele corpo que abracei e beijei e mordi, aquele corpo em que entrei, aquele corpo que me fez deitar e acordar satisfeito, talvez feliz, aquele corpo que gozei e abandonei. Porquês? Estavamos juntos, eu não tinha companhia, tu mostraste disponibilidade, ambos tínhamos bebido Bacardis e Smirnoffs muito para além da sobriedade e sabíamos, com essa inconsciência, que tudo teria que acontecer… Vês? É tão fácil perceber tudo… Em que parte desta história é que te perdeste? Naquela em que os sentimentos ficam de parte? Naquela em que perdeste a inocência da maturidade?

Não te sintas traída porque foste tu quem traiu primeiro. Não te sintas abandonada ou rejeitada porque não é assim que devemos terminar este jogo: ninguém deve perder, não sintas que perdeste. Se calhar, voltaremos a tomar um cafezito (o nosso sexcafé), com menos açúcar, e até podes falar do que estás a sentir, mas não me venhas com lamechices de quem crê que foi usada e enganada. Sempre soubeste tudo. Que culpa tenho se os corpos não resistiram à passagem de um pelo outro? Nunca te tinha acontecido? (Não mintas!)

Se não te telefono, nem envio toques ou SMS é porque não quero que te iludas com uma relação qualquer. Não quero ficar na tua memória como alguém que prolongou as expectativas e te deixou pendurada, sempre à beira do sufoco. Acredita que só quero ser uma lembrança boa na tua vida: "aquele rapazito com quem tive uma pequena aventura boa"… Tu serás sempre a "ex-professora dos meus colegas" que conheci num bar e dançou para mim…

E desculpe se a trato por "tu"…

3 comentários:

inominável disse...

Breve explicação: publico isto porque não me apetece escrever mais nada, nem falar da tese, e pronto. Qualquer reclamação seja enviada para o narrador...

Ida disse...

Genial... não precisavas explicar nada... mas entendo, depois de alguns comments tolinhos a tentar encontrar ancoragens de sujeito em quem é apenas escritora-observadora-tradutora de uns pedaços de mundo em movimento.

Adorei o texto. É milimétrico. Além disso, tava com tanta saudade de te ter por aqui. Tava cansada de cá vir e não haver palavras novas... Tás em plena forma minha linda "minina"!

Sandra Cardoso disse...

Olá!!
Parabéns pelo texto!!
Muito bem escrito.
Envolve-nos até ao fim.

Espero que se continuem a tratar por tu :)
Beijo