quarta-feira, maio 09, 2007

resposta do amigo

as minhas velas
não ardem até ao fim:

apago-as sadicamente
sufocando-as do ar
com que me consomem
ou esmago o caule da chama
no poço líquido da cera quente

(nas intermitências da luz
e da morte
escondem-se os fantasmas
que abrigo debaixo da cama)

apagadas
deixam-se ficar na memória
acesas e coradas
como uma memória

nunca acendo as velas que apaguei:
extintas não me queimariam

15 comentários:

un dress disse...

SANTA A TUA PUTICE.

A TRAIÇÃO ÀS VEIAS?


INTERMINÁVEL

ABORTO

RETOCADO


...

inominável disse...

a traição não é às veias... é às velas... mas pronto, à la limite...

:)

Anónimo disse...

olá menina "escondida"....




______________________



com esse sorriso não tem porquê...:)))))))



beijo.


(piano)

Debaixo do Bulcão disse...

Depois daquele comentário sobre o 25 de Abril (já lá vai, mas só agora tive tempo para isto), no blog Debaixo do Bulcão, eu tinha mesmo que "linkar" este mas no meu pessoal (Coisitas do Vitorino).

No Bulcão está o outro, da língua.

António Vitorino

Claudia Sousa Dias disse...

Tens toda a razão, inominável...

O pior é quando quanto mais tentamos apagá-las, mais elas teimam em arder...

Beijo

CSD

AGRIDOCE disse...

Bonito poema.
Também acho que, depois de definhar a cera, é melhor não tocar mais nelas, nem com um fósforo!
Bjs

Ida disse...

Adoro velas, a luz mortiça, o ambiente que criam. E adorei o poema, é mesmo assim, és mesmo assim.

Melhor esmagá-las na cera quente e líquida, melhor diluir-nos na cera quente que é a vida às vezes.

Beijo entre luzes e sombras.

un dress disse...

eu percebi que era às velas...




:))

inominável disse...

Idinha, já agora aconselho-te o fantástico livro "As velas ardem até ao fim"... bestial... podes ler a recensão bestial que a Cláudia Sousa Dias fez em "Há sempre um livro à nossa espera"... O livro é magnífico...

Alê Namastê disse...

Eu fico daqui olhando para chama de cada vela queimando...Espetáculo!

Beijos*

laura disse...

Que delicadeza! gostei.
Um abraço e mto prazer. Laura

Letras de Babel disse...

eu nunca apago as que acendi; queimar-me-iam.

ou seja
acho eu
que tenho sopro frágil e não quero dizer

(nem sei se isto quer dizer o que quer que seja...)

inimaginavel disse...

As velas são, elas mesmas, uma traição. Só por si.

isabel victor disse...

Abre as velas ao vento ...

deixa-as navegar enfunadas pelo sonho ! que até pode ser ilusão ...

navegar é preciso ...

deixa-as ir

inominável disse...

gostei da tua interpretação homónima, Isabel... vou fazer velas das velas que me servem de navegação...