domingo, março 11, 2007

uma posta, dois pontos fortes, a mesma fonte...

e a fonte é.... "Philosophie magazine", nº 7 (março de 2007)

(1) Títulos bestiais do dossier "sexe et morale". Aceitam-se respostas, no continuum mais idiota - menos pseudo-científico, a estas questões relevantes:

- "quelle différence y a-t-il entre une partie de jambes en l'air et un match de tennis" (p. 42)?
- "peut-on fouetter son partenaire s'il le demande" (p. 50)?

(2) O artigo "l'erreur de Narcisse" é dedicado à comunidade de prática de narcisismo constituída pelos... bloguers! É isso mesmo: se estás a ler isto, se escreves um blogue, os autores do artigo chamam-te "narcisista". Eu pensava que não era. Agora estou confusa... Amanhã talvez seja... E até explicam porquê: "telle une bouteille qu'on jette à la mer, au milieu des surfeurs, le blog est une supplique reconnue d'utilité publique, une opinion sur rue, la prière éperdue d'un être (vous et moi) qui, faute d'être qui que ce soit, mendie tous les jours l'onction des inconnus"... as pérolas continuam: "la publicité de l'intime dissimule le sentiment du vide sous l'alibi de la transparence. (...) La tentative impérialiste de rendre important ce qui n'importe qu'à soi" (p. 20).

Face a esta caracterização da comunidade de bloguers, pergunto-me:

- que blogues andam estes filósofos a ler? parece-me que fazem péssimas escolhas...
- de onde lhes chega esta autoridade e legitimidade para generalizar?
- de onde lhes chegou a ideia de que as personalidades públicas (nomeadamente políticos e jornalistas) não têm blogues?
- sentes-te vazio? desse vazio que se enche na proporção dos posts que escreves? de onde lhes chegou a iluminação para nos tornar vítimas de um "vazio" qualquer?
- que raio de conceitos são estes de transparência e de importância? queres ser transparente? não preferirás ser subjectivo?
- "tentativa imperialista"? imperialista é pensar que as fontes de comunicação e de informação e de socialização e de racionalização são imutáveis e estão condenadas a cingir-se aos tradicionais mentores-formatadores da opinião pública...

[[e ando eu a ler isto num rico domingo de praia, entre magnum de amêndoas e um fino fresquinho...]]

11 comentários:

SAT disse...

Quanto aos títulos bestiais, se isso entra na "Philosophie magazine " então entramos todos de certeza no palácio de Buckingham para brincar às bonecas com a Rainha de Inglaterra.
Narcisistas ou não, os bloguers que vão por exemplo a sites com visibilidade opinar sobre o país com argumentos válidos e raciocínios estruturados, ajudam a mudar as coisas. E isso é o sentido dos blogues: mudar; muda-se a Internet nem que seja um bocadinho e está-se a mudar as pessoas em maior ou menor grau, digo eu.
Neste domingo esplendoroso, de facto a bejeca e o gelado teriam sido muito mais interessantes ao ar livre. Tchim-tchim aos blogues :)

calózita disse...

ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh
andaste nos finos e não me convidaste

magoei :(

Bandida disse...

narcisos somos todos. como os lobos...



:)))



B.
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Luis Eme disse...

Há generalizações que só nos podem fazer rir... até por verificarmos que existe um pouco de tudo na blogosfera.

Ao ler estas "teorias", lembrei-me logo do estudo em que alguém dizia que os portugueses eram um povo muito patriota, etc. O fulano (os fulanos) que fizeram este estudo devem ter andado a contar as bandeiras de Portugal, sem cor e rasgadas pelo vento, que permanecem presas a varandas...

Phwo disse...

Bem! Isto é que são teorias!...
É claro que há blogs narcisistas, e de que forma (eu até conheço alguns que são verdadeiros hinos ao próprio); mas daí à generalização vai, pelo menos, um ponto (de saturação, já agora).
Mas é engraçado, pois há tempos, dei comigo a reflectir sobre blogs. AQUI
Pessoalmente (e apesar de assumir algum humor no subtítulo do meu blog), reconheço a existência do lado, cada vez importante, do blog enquanto veículo de informação e partilha de ideias. E isso pode ser uma interessante alternativa de discussão e reflexão sobre os blogs.
Apesarde todos os prós e contras (?), não restam dúvidas de que os blogs são, pelo menos, um hino à democracia e à liberdade de expressão.

Anónimo disse...

eu prefiro o jogo de ténis... ou mesmo de golf...

CN disse...

Não, desculpem! Narciso sou eu! Agora, a sério... esses tipos devem ser sexagenários empedernidos. Parecem-me um bocado ultrapassados, embora numa coisa tenham razão: ninguém tem um blog só para si mesmo. Isto é, quase ninguém. A maioria de nós gosta de ser lido. Eu gosto.

inominável disse...

Aviso à navegação:

"não sou minimamente competente para discutir estas ideias, mas um blogger é na essência um diletante e seria aborrecido defraudar o leitor".

Quem diz é Fernanda Câncio, citada pela Visão, na página 22 (nº 732).

isabel victor disse...

Oh! Querida in`(bloguer), pede outro Magnum de amêndoa para mim e vamos lá discutir esse " Vazio ", ao espelho dos que reflectem a nossa imagem !

A blogesfera é como todas as outras esferas humanas, só que usa caminhos virtuais. Como nas outras, há de tudo e nós gostamos. Ou melhor, eu ando por cá porque gosto de "lerver" e de ser "lidavista"

E se não houvesse bloguers esses experts estudavam o quê ?

Um beijo In para TI

cfreitas disse...

Os jornalistas andam às aranhas com a Blogosesfera, bem agora seremos narcisos amanhã não saberemos!

Lauro António disse...

Inominável: imagina que só há dias comprei, por acaso, esse número dessa revista, e sabes onde? em Aveiro, num quiosque de porta de prédio, em frente ao Centro Comercial. Despertou-me a curiosidade. Não te tinha ainda lido.
Mas sabes? Os jornalistas de profissão andam muito preocupados com esta coisa dos blogues. Andam tanto mais preocupados quanto os seus jornais e revistas deixam de ter leitores.
Deixam de ter leitores por causa dos blogues? Não. deixam de ter leitores porque cada vez mais os jornalistas são maus jornalistas e só fazem o jogo do patrão invisivel, do capitalismo sem rosto.
Nos blogues esse patrão ainda não entrou. Ou melhor: entrou, mas ainda não domina os meios. Não há censura. Logo aqui dizem-se as maiores barbaridades ao lado de outras que o não são. Propagam-se as maiores mentiras, mas toda a gente sabe que aqui se pode dizer tudo. Logo, deverá haver mais crítica. Nos jornais, nas revistas, na rádio, na televisão é diferente. Aparentemente são jornalistas que deveriam honrar a profissão. Havia a tendência para acreditar neles... Mas está a perder-se essa tendência e outra vem ao de cima: penar-se que os jornalistas só querem assegura o posto de trabalho, logo vender jornais, lodo publicar o que se vende, logo...